Cafés do Brasil ficam isentos de tarifa americana

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A força do diálogo, da negociação e da representação conjunta

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A confirmação de que os cafés do Brasil permanecerão fora da tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos representa uma importante conquista para toda a cafeicultura brasileira. Mais do que um resultado comercial, essa decisão evidencia o valor da representação institucional, do diálogo permanente com o Governo e da atuação coordenada das entidades que defendem os interesses da cadeia do café no mercado.

O anúncio reforça que, quando o Brasil fala com unidade, conhecimento técnico e responsabilidade, o mundo reconhece a relevância da nossa cafeicultura. Não se trata da vitória de uma entidade isoladamente, mas do êxito de um trabalho construído pelo Governo e por diferentes instituições que, respeitando suas competências, atuam de forma complementar em defesa de um patrimônio nacional.

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Cada elo da cadeia possui um papel estratégico.

Os produtores (as) são representados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio de sua ampla estrutura sindical, e a produção, pelo Conselho Nacional do Café (CNC), que congrega as cooperativas e representa milhares de cafeicultores brasileiros, responsáveis por produzir um café reconhecido mundialmente por sua qualidade, sustentabilidade e competitividade.

A indústria de café torrado e moído encontra na Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) sua legítima representante, enquanto a indústria de café solúvel é representada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), segmento que agrega tecnologia, inovação, industrialização e valor ao produto brasileiro.

Já a exportação tem no Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) a entidade responsável por representar empresas que levam os Cafés do Brasil aos principais mercados consumidores do planeta.

Embora possuam atribuições distintas, essas instituições compartilham o mesmo propósito: fortalecer a cafeicultura brasileira. Essa convergência acontece, de maneira exemplar, no âmbito do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), fórum em que governo e iniciativa privada constroem conjuntamente políticas públicas, estratégias e soluções para o desenvolvimento do setor.

A razão é simples: qualquer desafio enfrentado por um segmento repercute em toda a cadeia. Uma barreira à exportação reduz a demanda pela produção. Um problema na indústria afeta a agregação de valor. Uma dificuldade no campo compromete o abastecimento, a qualidade e a competitividade do café brasileiro. Na cafeicultura, não existem vitórias individuais nem prejuízos isolados. Quando um elo é afetado, todos sentem seus efeitos.

Sob a perspectiva do Conselho Nacional do Café, contudo, é importante lembrar que toda essa cadeia começa no cafeicultor. A matéria-prima que abastece as indústrias e sustenta as exportações nasce nas propriedades rurais e nas cooperativas brasileiras. Sem o trabalho dos cafeicultores (as), não haveria café para industrializar, exportar ou promover nos mercados internacionais. É no campo que se inicia a construção da competitividade brasileira.

Essa visão explica por que o setor tem trabalhado de forma integrada em iniciativas estruturantes que fortalecem toda a cadeia produtiva. O Funcafé permanece como um dos principais instrumentos de financiamento da cafeicultura, garantindo crédito para custeio, comercialização, estocagem, aquisição de café e capital de giro, proporcionando estabilidade ao setor e segurança para produtores, cooperativas, indústrias e exportadores.

Da mesma forma, o Pacto pelas Boas Práticas Trabalhistas na Cafeicultura demonstra o compromisso coletivo com relações de trabalho cada vez mais dignas, transparentes e responsáveis, fortalecendo a imagem da cafeicultura brasileira perante os mercados internacionais.

Outro exemplo dessa atuação conjunta é o Programa de Promoção dos Cafés do Brasil, desenvolvido para ampliar a presença do café brasileiro no exterior, valorizar sua diversidade, sua qualidade e sua sustentabilidade, consolidando a marca “Cafés do Brasil” nos principais mercados consumidores.

Essas iniciativas comprovam que o fortalecimento da cadeia produtiva depende da cooperação entre produtores, cooperativas, indústrias, exportadores, Poder Público e Governo. O sucesso de um segmento fortalece todos os demais.

A exclusão do café verde, do café torrado, do café moído, do café solúvel e de seus derivados das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos é resultado dessa construção coletiva contando com apoio que foi fundamantal do Ministério das Relações Exteriores (MRE), baseada em diálogo institucional, credibilidade e representação responsável.

Mais do que celebrar um resultado, essa conquista reforça uma lição que acompanha a história da cafeicultura brasileira: a união da cadeia é um dos seus maiores ativos.

Como presidente do Conselho Nacional do Café, recebo essa notícia com a convicção de que ela fortalece não apenas o comércio exterior, mas principalmente os milhares de produtores (as) e cooperativas que sustentam essa atividade em todas as regiões cafeeiras do Brasil.

Por isso, recebemos essa confirmação com extrema satisfação e com o sentimento de que o trabalho sério de representação foi coroado de êxito. A isenção é uma vitória maiúscula para os nossos produtores (as) e para a nossa indústria. Comemoramos o fato de o café solúvel ter ficado fora dessas tarifas. O solúvel representa valor agregado, tecnologia de ponta e emprego gerado dentro do nosso país. Isso comprova que o mercado norte-americano reconhece que o café brasileiro é indispensável para os seus próprios negócios e consumidores.

Elias Miranda de Resende

Diretor Patrocínio VIP

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