Exportação de café do Brasil tem melhor agosto da história: 4,16 mi/sacas
Desempenho foi puxado pelo avanço da disponibilidade dos cafés arábicas e, principalmente, dos canéforas, que registraram seu melhor desempenho para meses de agosto; receita cambial de US$ 1,3 bi também é a melhor para o mês
“Esse desempenho foi puxado pela maior disponibilidade de cafés arábicas desta safra, que chegaram ao mercado após atrasos na colheita ocasionados por chuvas, e, principalmente, pelos cafés conilon e robusta, que tiveram sua melhor performance exportadora para meses de agosto, enaltecendo a evolução da qualidade dos cafés canéforas brasileiros, que passam a ganhar mais espaço no mercado global”, explica o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
Em agosto, os embarques de conilon e robusta cresceram 53,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, saltando para 953.592 sacas. Já as exportações da espécie arábica chegaram a 2,866 milhões de sacas, apresentando avanço de 25,7% no mesmo comparativo. O solúvel subiu 24,3%, para 332.192 sacas, e o café torrado e torrado e moído alcançou 3.816 sacas, com alta de 6,4% ante agosto de 2025.
Com a performance no mês passado, os embarques de todos os tipos de café no primeiro bimestre do ano-safra 2026/2027 totalizam 7,204 milhões de sacas, gerando uma receita cambial de US$ 2,242 bilhões. Esse desempenho representa incremento de 21,5% em volume e de 4,1% em valor frente ao registrado em julho e agosto de 2025.
ANO CIVIL
No agregado dos oito primeiros meses de 2026, o Brasil exportou, a 119 países, 25,073 milhões de sacas, montante 1,2% inferior aos 25,370 milhões aferidos entre janeiro e o fim de agosto do ano passado. A receita cambial apresenta queda de 9,3% no mesmo período comparativo, recuando de US$ 9,686 bilhões aos atuais US$ 8,787 bilhões.
O presidente do Cecafé analisa que esse desempenho no acumulado dos oito primeiros meses deste ano reflete a menor disponibilidade de café no primeiro semestre e o atraso na chegada dos cafés da nova safra.
“Viemos de um ano anterior com bom volume de embarques e de safra menor, o que diminuiu os estoques e, consequentemente, a oferta de café para o primeiro semestre. Além disso, as chuvas em plena colheita, em especial em julho, atrasaram a entrada dos cafés arábicas da nova temporada, que se apresentaram ao mercado somente a partir de agosto”, detalha.
Ele completa que a defasagem na infraestrutura dos principais portos do Brasil continua atrapalhando o trabalho dos exportadores de café e que o tarifaço dos Estados Unidos, vigente até meados de julho, também impactou a performance.
“Os exportadores de café seguem sofrendo com a defasagem na infraestrutura portuária, o que atrasa os embarques e gera prejuízos milionários ao setor devido a custos extras com rolagens de cargas e armazenagens adicionais. Também é válido salientar que o tarifaço dos EUA gerou incertezas desde seu anúncio, em abril do ano passado, até julho, quando foram retiradas as taxas sobre o café solúvel brasileiro – os demais cafés haviam sido isentos em novembro de 2025. A partir de agora, a insegurança quanto à política comercial americana deve diminuir e já é possível notarmos uma retomada dos negócios”, comenta.
PRINCIPAIS DESTINOS
Os Estados Unidos figuram como o principal importador dos cafés do Brasil no acumulado de janeiro a agosto de 2026, com a aquisição de 3,158 milhões de sacas, montante que representa 12,6% dos embarques totais no período, mas ainda 21,6% inferior ao mesmo intervalo em 2025, devido às incertezas supracitadas.
A Alemanha ocupa a segunda posição, com 2,824 milhões de sacas – 11,3% do total –, o que implica queda de 8,2% frente aos oito primeiros meses do ano passado. Na sequência aparecem Itália, com 2,248 milhões de sacas e alta de 12,8%; Bélgica, com 2,115 milhões de sacas e incremento de 39,2%; e Japão, fechando o top 5 com 1,305 milhão de sacas e declínio de 22%.
TIPOS DE CAFÉ
O café arábica, com 17,863 milhões de sacas, é o tipo mais exportado pelo Brasil entre janeiro e agosto de 2026. Esse montante equivale a 71,2% do total, mesmo representando queda de 11,8% na comparação com os mesmos oito meses do ano passado.
A espécie canéfora (conilon + robusta) vem na sequência, com o embarque de 4,339 milhões de sacas (17,3% do total), apresentando substancial crescimento de 68,6% em relação ao remetido ao exterior de janeiro ao fim de agosto de 2025.
O segmento do café solúvel, com 2,829 milhões de sacas (11,3% do geral) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 43.124 sacas (0,2%) completam a lista.
CAFÉS DIFERENCIADOS
Os cafés que possuem qualidade superior, certificados de práticas sustentáveis e/ou especiais respondem por 17,1% das exportações totais brasileiras entre janeiro e agosto de 2026, com a remessa de 4,294 milhões de sacas ao exterior, volume que representa queda de 15,8% frente ao registrado nos mesmos oito meses do ano passado.
Com preço médio de US$ 410,62 por saca, a receita cambial com os embarques dos cafés diferenciados totalizou US$ 1,763 bilhão, o que corresponde a 20,1% do obtido com todos os embarques de café no primeiro octamestre deste ano. No comparativo anual, o valor é 19% menor do que o apurado entre janeiro e agosto de 2025.
Os EUA lideram o ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados, com a importação de 625.758 sacas, o que equivale a 14,6% do total desse tipo de produto exportado.
Fechando o top 5, aparecem Bélgica, com 489.981 sacas e representatividade de 11,4%; Alemanha, com 475.038 sacas (11,1%); Itália, com 418.575 sacas (9,7%); e Holanda (Países Baixos), com 252.880 sacas (5,9%).
PORTOS
O Porto de Santos é o principal exportador dos cafés do Brasil nos primeiros oito meses deste ano, com 17,788 milhões de sacas e representatividade de 70,9% no total.
Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 24,9% dos embarques ao remeter 6,252 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), responsável pelo embarque de 261.874 sacas, com representatividade de 1%.
O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, com a atualização referente a agosto de 2026, está disponível no site do Cecafé: https://www.cecafe.com.br/.
SOBRE O CECAFÉ
Fundado em 1999, o Cecafé representa e promove ativamente o desenvolvimento do setor exportador de café nos âmbitos nacional e internacional. A entidade oferece suporte às operações do segmento por meio do intercâmbio de inteligência de dados, ações estratégicas e jurídicas, além de projetos de cidadania e responsabilidade socioambiental. Atualmente, possui mais de 100 associados, entre exportadores, produtores, associações e cooperativas de café no Brasil, que respondem por 96% dos agentes desse mercado no país.
